Cairam...
Cairam todas as estruturas
Cairam todos os conceitos
Cairam todos os achismos
Cairam...
Assim como caem os castelos de cartas
Assim como derretem cubos de gelo ao sol
Já não sei
Já não sou
Se foram as referências
Se foram..
Tudo aquilo em que me segurava
Tudo aquilo em que me agarrava
Com medo de não ser
Com medo de não ter
Com medo de perder o sentido
Com medo de não pertencer
...E o que fica?
Fica a presença
Fica o observar
Fica o vazio
Fica o questionar
Me pergunto o que é isso que sempre acreditei?
Que o outro me disse,
Mas que eu mesma não sei
Imagens, conceitos, palavras
Crenças de Deus e de todas as divindades
E o que é isso que é isso...
Uma vida inteira de estudos
Pra compreender todos os arquétipos, todos os símbolos
Me enchi que conteúdo mas esqueci de sentir
Era verdade tudo aquilo em que acreditei?
Todos os seres divinos e deuses pra quem orei?
Ardo agora pelo puro, pela essência, pelo essencial
De que me adiantou saber de tantos nomes
Se no mais profundo continuei igual
Fé cega ou como quer que se chame
Me privou da intimidade real
Decido me despir de tudo
Começar do zero
Deletar
De mim não sai mais nenhum movimento
Que não seja experiência verdadeira
Que não pulse no meu peito e corra pelas minhas veias
Que não me mostre a face e se apresente como é
Agora compreendo melhor a fé de São Thomé
Só acredito,
Vendo.
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